quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

A sociologia e a sociedade contemporânea

O surgimento do sistema de fábricas trouxe toda uma nova organização do trabalho e, consequentemente, da vida social (Thompson e Decca apud Paixão, 2012, p. 175). Esse sistema retirou o mestre e seus ajudantes da oficina artesanal, retirou as pessoas da pequena indústria doméstica, colocando-as num local de trabalho específico, para desenvolver uma atividade em um determinado espaço de tempo. 

Assim, a fábrica passou a ser o novo local de trabalho e, por consequência, a casa e este local separaram-se, dando ao indivíduo certa independência para realizar outras atividades. Na fábrica, também, passaram a produzir-se novas relações sociais e novas aprendizagens. 

Nessa nova configuração, os mestres transformaram-se em trabalhadores parciais a medida em que houve a divisão manufatureira do trabalho que nada mais era do que o fracionamento do ofício, dividindo-o em várias etapas executadas por trabalhadores diferentes. 

Desta forma, o trabalhador não executa mais o processo inteiro da fabricação de um bem ou produto, mas apenas uma parte do processo. Nesse novo contexto, o trabalho não é mais um elemento da vida doméstica que se “mistura” com outras atividades, no mesmo local, onde o indivíduo impõe o seu próprio ritmo na realização das tarefas. 

Entretanto, ainda assim, não há o controle sobre o trabalho realizado pelos trabalhadores, ou seja, ainda cabe somente a estes o gerenciamento das tarefas e do tempo a ser gasto em cada uma delas. É somente com o advento da gerência científica que esse controle passa a ser exercido por outros atores do processo. 

A sistematização dos processos de produção foi elaborada por Frederick Taylor que elevou o conceito de controle quando apresentou a necessidade da gerência impor ao trabalhador a maneira pela qual o trabalho deve ser executado. Posteriormente, Henry Ford aperfeiçoou os métodos tayloristas, implantando a ‘esteira” fordista trazendo notáveis ganhos de produtividade. 

Elencamos a seguir as diferenças principais entre os dois modelos de produção:  
Taylorismo: é um método de administração da produção baseado nos estudos de tempos e movimentos dos trabalhadores. Apresenta três princípios básicos: separação entre planejamento e execução das tarefas, seleção dos trabalhadores mais adequados à função específica, controle sobre o tempo e os movimentos executados pelos trabalhadores.

Fordismo: é uma forma de organizar baseada na produção em massa de produtos padronizados, com cada operário executando uma função específica ao longo da esteira fordista. Além da produção em massa e padronizada, o fordismo prevê também o consumo em massa. Assim como o taylorismo, no fordismo existe a separação entre o planejamento e a execução das tarefas, o controle sobre o tempo e os movimentos além de o trabalhador acompanhar o ritmo da máquina.

 “As transformações no mundo do trabalho geram mudanças e consequências que se refletem por toda ordem social.” (Paixão, 2012, p. 193). Os elementos que hoje fazem parte da vida em sociedade têm todos uma origem e uma razão de ser que são baseadas nos acontecimentos ocorridos ao longo dos séculos. Desde a criação do sistema de fábricas, passando pelo taylorismo, pelo fordismo, até às novas concepções de produção e trabalho, deve-se ter em mente que tudo se dá de forma interligada, assim, as transformações sociais, são frutos da história da civilização.

Curso de Ciência Política [2015-2019] - UNINTER

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